INTERVENÇÃO EM ADULTOS

ESPECIALIDADES

  • Avaliação Neuropsicológica e Consulta de Neuropsicologia
  • Perturbação do Comportamento Alimentar
  • Ansiedade e Pânico
  • Fobias
  • Perturbação Obsessivo-Compulsiva
  • Co-Dependência
  • Depressão
  • Perturbações Psicossomáticas
  • Compulsões
  • Reorganização pessoal pós-traumatismo (mastectomia, perdas de capacidades físicas)
  • Luto
  • Gestão do Stress
  • Perturbação Dismórfica Corporal
  • Psiquiatria
  • Perturbação Bipolar
  • Orientação Vocacional
  • Terapia Sexual
  • Comportamentos Aditivos e Dependências 
  • Terapia de Casal

Perturbação do Comportamento Alimentar

Perturbação alimentar é o termo utilizado para designar um padrão de comportamento alimentar que prejudica gravemente a saúde. Estas perturbações provocam grande sofrimento, estendendo-se às famílias, trazendo graves consequências físicas e psicológicas e podendo implicar risco de vida.
As perturbações do comportamento alimentar englobam perturbações como a anorexia nervosa, a bulimia, o binge eating (comer compulsivo), a obesidade e ainda diversas perturbações alimentares, sem especificação, que se caracterizam por uma relação tensa com a alimentação e com o corpo.
A Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa são as perturbações mais frequentes; contudo, a compulsão alimentar (binge eating) e a obesidade estão a destacar-se, de forma crescente, como uma preocupação dos técnicos de saúde mental, dada a sua elevada prevalência. De facto, as perturbações do comportamento alimentar, pela actual conjuntura das sociedades contemporâneas que promovem uma relação tensa com o corpo e com a alimentação, parecem estar a ganhar proporções epidémicas.
É importante referir que a anorexia nervosa é uma das perturbações psicológicas com maior taxa de mortalidade.
Um diagnóstico precoce e uma intervenção adequada são essenciais para um bom prognóstico.

As características essenciais da anorexia nervosa são a recusa em manter um peso corporal normal mínimo para idade e altura, um medo intenso de ganhar peso e, em alguns casos, uma distorção significativa na percepção da imagem corporal. Esta perturbação apresenta dois subtipos – o subtipo restritivo (a perda de peso é conseguida essencialmente através de dietas e jejuns) e o subtipo ingestão compulsiva/purgativo (quando há comportamentos bulímicos ou purgativos, como vómitos ou uso indevido de laxantes, diuréticos e enemas).

A obsessão pelo controlo é uma característica transversal a todas as dimensões da existência nos indivíduos com esta perturbação. Devido a uma série de factores, diferentes em cada caso, o emagrecimento e o peso constituem-se como agentes de restabelecimento da sensação de poder e controlo. Assim, no seu quotidiano, o controlo passa a ser vivido como condição de sobrevivência e, por isso, diariamente promovido e exercitado a todos os níveis: nas entradas de comida (contabilizadas à grama e à caloria), na monitorização do peso e do corpo, nas leituras exaustivas e compulsivas sobre alimentação e saúde (nas quais “descobrem”, cada vez mais alimentos prejudiciais que, devem, portanto impedir de entrar no seu corpo), na hipervigilância em relação à reacção dos outros relativamente a si próprios ou no estado constante de alerta que lhes perturba o sono.
Na evolução terapêutica, os medos de “perder o controlo” e de “engordar sem parar” são comuns e ultrapassá-los implica o (r)estabelecimento da confiança no próprio corpo e da leitura que fazem das suas próprias sensações corporais.
É importante referir que a anorexia nervosa é uma das perturbações psicológicas com maior taxa de mortalidade.

  • SINAIS DE ALERTA

  • Perda acentuada de peso, não justificada
    Frio excessivo
    Sono ou hiperatividade
    Apatia ou irritabilidade excessiva
    Isolamento social
    Excessiva queda de cabelo
    Controlo excessivo do peso (pesar-se várias vezes ao dia)
    Desculpas frequentes para não comer na presença de outros
    Prática excessiva de exercício físico
    Preocupação exagerada com o conteúdo calórico dos alimentos
  • SINTOMAS

  • Perda acentuada de peso
    Medo intenso de ganhar peso ou engordar, mesmo quando o peso é insuficiente
    Perturbação na apreciação do peso e forma corporal
    Amenorreia (ausência do período menstrual) nas mulheres e redução da testosterona nos homens
    Sintomas depressivos
    Baixa auto-estima
    Apatia/ Irritabilidade
    Isolamento social
    Diminuição da líbido
  • CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS

  • Amenorreia (ausência do período menstrual) nas mulheres, após menarca
    Batimento cardíaco reduzido e baixa pressão arterial (risco de falha cardíaca)
    Redução da densidade óssea (Osteoporose)
    Perda de massa muscular e fraqueza (atrofia muscular generalizada)
    Desidratação grave (e consequente falha renal)
    Desmaios, fadiga e fraqueza geral
    Crescimento de lanugo (penugem a revestir todo o corpo, principalmente a face e as costas)
    Hipotermia

A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios recorrentes e incontroláveis de compulsão alimentar, seguidos por comportamentos e métodos compensatórios inadequados para evitar o aumento de peso – como a indução de vómito, o uso de laxantes, diuréticos e enemas ou o exercício físico obsessivo e exaustivo.A auto-avaliação do valor pessoal é excessivamente influenciada pela forma e peso corporal.

  • SINAIS DE ALERTA

  • A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios recorrentes e incontroláveis de compulsão alimentar, seguidos por comportamentos e métodos compensatórios inadequados para evitar o aumento de peso – como a indução de vómito, o uso de laxantes, diuréticos e enemas ou o exercício físico obsessivo e exaustivo.
    A auto-avaliação do valor pessoal é excessivamente influenciada pela forma e peso corporal.

  • SINTOMAS

  • Episódios de compulsão alimentar (ingestão exagerada de alimentos, geralmente híper-calóricos, num curto espaço de tempo)
    Indução do vómito como forma de evitar o aumento de peso
    Uso indiscriminado de laxantes e diuréticos
    Exercício físico exaustivo
    Medo intenso de ganhar peso ou engordar
    Oscilações de peso
    Isolamento social
    Sintomas depressivos
    Ansiedade e irritabilidade
    Mudanças de humor
    Auto-mutilação
    Distorção da imagem corporal

  • CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS

  • Fadiga e fraqueza muscular
    Mau funcionamento renal e cardíaco
    Arritmias
    Irregularidade menstrual
    Obstipação
    Destruição do esmalte dos dentes, cáries dentárias e problemas nas gengivas
    Osteoporose
    Dores de garganta, dores no peito, cãibras musculares
    Calos nos nós dos dedos
    Queda de cabelo
    Inchaço das glândulas salivares
    Vasos sanguíneos dilatados no rosto

O binge eating ou comer compulsivo é caracterizado por episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos, porém, diferente da bulimia nervosa, uma vez que nesta perturbação as pessoas não tentam evitar ganho de peso com os métodos compensatórios. Os episódios vêm acompanhados de uma sensação de falta de controlo sobre o ato de comer, sentimentos de culpa e de vergonha.

É num contexto de industrialização e hiperconsumo, onde o quotidiano se caracteriza por um crescente automatismo – nas formas de saber fazer e viver – e falta de tempo (de relação consigo próprio), que a obesidade surge como sintoma dos modos de vida em mudança (com implicações a nível de saúde física e mental).

Por definição, a obesidade consiste numa acumulação excessiva de gordura, mais visível no tecido subcutâneo e localizada imediatamente abaixo da pele. O excesso de gordura resulta de sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia dispendida.

Obesidade mórbida é um tipo grave de obesidade que ameaça a saúde e restringe as actividades do indivíduo, sendo que é diagnosticada quando o peso da pessoa é 100% maior do que o seu peso ideal, de acordo com a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os fatores que determinam a obesidade são complexos e podem ter origem genética, metabólica, ambiental e psicológica.

Numa análise compreensiva, é importante refletir acerca das implicações sistémicas que a obesidade acarreta, nomeadamente pela crescente morbilidade de doenças associadas como a hipertensão, diabetes, alterações do sono e doença cardiovascular, a par da diminuição da qualidade de vida, do impacto em termos de saúde psíquica (depressão, ansiedade, alterações do comportamento alimentar, por exemplo) e da discriminação social.
Fenomenologicamente, pensar a obesidade implica, por consequência, pensar a relação do indivíduo com o próprio ato de comer – que parece não se limitar à sua função de nutrição do corpo –, compreendido, assim, como extensão e somatização da relação consigo próprio. Neste sentido, a literatura aponta para a conceptualização do alimento como regulador do sistema emocional, “oferecendo” conforto e apaziguando (temporária e precariamente) a sensação de vazio, constituindo-se, assim, como mecanismo de regulação afetiva e tentativa de restauração de um equilíbrio precário do self.
Deste modo, salienta-se a importância da psicoterapia para a promoção de expressão, reconhecimento, regulação e consciência emocional (emotional awareness), a par da ressignificação da relação consigo próprio. Por último, sublinha-se ainda a importância do acompanhamento psicológico no processo de manutenção da redução ponderal após intervenção cirúrgica, por exemplo, no apoio à adoção de mudanças necessárias de estilo de vida e às consequentes exigências emocionais associadas.

Comportamentos Aditivos e Dependências

São componentes centrais dos comportamentos aditivos (ex: uso de substâncias, internet, jogo, sexo, compras) a perda de controlo e a dependência, associadas a dimensões da experiência aditiva como aumento do sentido de poder e de auto-estima. Neste sentido, Echeburúa e Corral (1994) enunciam que “qualquer comportamento que proporcione prazer é suscetível de ser um comportamento de adição”, não sendo nenhum objeto aditivo por si só: a adição é conceptualizada enquanto extensão do modo como o indivíduo constrói a relação consigo próprio e com o mundo (sistemas e contextos).
Destacam-se os seguintes sintomas dos comportamentos aditivos (Griffiths, 1998): saliência e preocupação excessiva (uma atividade obtém uma importância central na vida do indivíduo, dominando os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos; e investindo uma grande quantidade de tempo), modificação do humor, tolerância (necessidade de aumentar a quantidade de uma atividade para obter os efeitos anteriores), síndrome de abstinência (estados emocionais e efeitos físicos desagradáveis que ocorrem perante a interrupção ou redução da intensidade da atividade), conflito (conflito consigo próprio, conflito interpessoal e com outras atividades quotidianas), perda de controlo (episódios de uso compulsivo), deterioração progressiva da qualidade de vida, uso continuado (mesmo que com dano pessoal e familiar, mantendo a atividade, apesar do conhecimento da existência de um problema físico ou psicológico persistente), negação (negação das consequências da adição, reduzindo, assim, a ansiedade e protegendo o sistema de adição), memória eufórica (processo de memória seletiva, pela recordação da euforia associada ao uso, em detrimento do sofrimento e das consequências negativas), procura (de contextos e pessoas associadas à dependência), desejos automáticos (craving mais provável de surgir nos contextos habituais onde a atividade é praticada) e frieza emocional (dificuldade em identificar, regular e interpretar sentimentos; anestesia emocional).
A intervenção
É neste enquadramento que a intervenção aborda esta problemática de forma multifatorial e sistémica, procurando-se ter em consideração o contexto biológico, social e emocional em que o comportamento aditivo se inicia e se perpetua. Neste sentido, este trabalho é feito de forma multidisciplinar e colaborativa, sendo o indivíduo contemplado enquanto ator responsável pelo processo de mudança.

Terapia de Casal

A terapia de casal consiste numa intervenção com o casal, com vista a superar as dificuldades de relacionamento, sejam estas de natureza comunicacional, de gestão de conflitos, familiar ou sexual. Ambos os elementos do casal devem revelar disponibilidade e motivação para a exploração e mudança da relação e estar abertos a uma intervenção que promova uma alteração dos padrões estabelecidos.
As consultas são realizadas em co-terapia, com a presença de dois terapeutas: um psiquiatra e uma psicóloga, ambos especializados em Terapia de Casal e Sexologia Clínica.

Terapia Sexual

A terapia sexual consiste num espaço de reflexão, abertura e informação, procurando-se a promoção do autoconhecimento, a redução da ansiedade de resposta, a promoção da comunicação, a mudança de atitudes e atribuições e a resolução de disfunções sexuais ou problemas específicos. Assim sendo, a intervenção poderá ser realizada individualmente ou, caso se revele necessário na avaliação, com o casal (independentemente da orientação sexual), sendo, neste caso, realizada em co-terapia, por uma psicóloga e um psiquiatra, ambos especializados em Terapia de Casal e Sexologia Clínica.
Neste sentido, no âmbito das disfunções sexuais, a terapia – baseando-se numa abordagem integrativa e sistémica do indivíduo – contempla a intervenção em disfunções como a inibição do desejo sexual ou aversão sexual (disfunção na fase do desejo), disfunção erétil no homem e disfunção da excitação na mulher (disfunção na fase da excitação), anorgasmia e dificuldades na ejaculação do homem (tais como ejaculação precoce e ejaculação retardada; disfunção na fase orgásmica), dispareunia e vaginismo (perturbação da dor sexual).
Sublinha-se que a terapia sexual assenta na compreensão do(s) indivíduo(s) como um todo, já que a sexualidade vai além da dimensão biológica, sendo também influenciada por fatores psicológicos (ex: ansiedade, depressão, cansaço, superinvestimento noutras áreas de vida, inibição do desejo secundário a disfunções sexuais), relacionais (ex: receio de julgamento ou abandono pelo outro e dificuldade em meta-comunicar) e socioculturais (ex: culpabilidade e vergonha). Ao longo do processo, o trabalho terapêutico incide, essencialmente, em três aspetos fundamentais: a dificuldade sexual em si mesma (através de técnicas especificas que são propostas de forma progressiva e adaptada ao problema); auto-estima/confiança e comunicação relacional.

Psicoterapia através da Dança e do Movimento

“Dance is the hidden language of the soul”
Martha Graham

A Psicoterapia através da dança e do movimento é uma terapia através das artes expressivas, tal como a musicoterapia, a arte-terapia ou a dramaterapia, e baseia-se na interdependência entre movimento e emoção. Toma o corpo como a ferramenta e o movimento como o processo usado para promover a integração e o desenvolvimento pessoal. Numa acepção simples, a Psicoterapia através da dança e do movimento consiste no uso do movimento criativo e da dança numa relação terapêutica, podendo ser realizada individualmente ou em grupo. A investigação no campo da Psicoterapia através da dança e do movimento é fundamentada no princípio de que há uma relação entre o movimento e a emoção (sendo que as características de movimento reveladas por um indivíduo estão associadas a formas específicas de relacionamento com os outros e com o mundo) e que, ao explorar um mais diversificado vocabulário de movimento, as pessoas experienciam a possibilidade de atingirem um equilíbrio mais seguro, ao mesmo tempo que se tornam cada vez mais espontâneas e com maior capacidade de adaptação A Psicoterapia através da dança e do movimento procura, assim, combinar os aspectos expressivos e criativos da dança com os conhecimentos da psicoterapia, sendo considerada central a relação terapeuta-cliente como um meio de promover a mudança. O objectivo final não é ser proeficiente num tipo de dança mas sim a construção de significado envolvida na produção estética e artística em relação.

Avaliação Neuropsicológica e Consulta de Neuropsicologia

Avaliação Neuropsicológica

A avaliação neuropsicológica é um dos meios para o estudo aprofundado de funções cognitivas, comportamentais e emocionais e tem como principais objectivos:
– Avaliar o desempenho cognitivo geral;
– Caracterizar o perfil neuropsicológico da pessoa;
– Identificar a presença de alterações cognitivas, comportamentais e emocionais de origem neurológica;
– Contribuir para a elaboração e avaliação da eficácia da intervenção/reabilitação neuropsicológica;
– Monitorizar a progressão dos défices,
– Compreender de que forma o funcionamento cerebral tem repercussões no comportamento e emoções experienciadas pela pessoa.
As técnicas clínicas a utilizar são adaptadas de forma idiossincrática a cada caso, tendo-se, nomeadamente, em conta o estado da pessoa e os objetivos a atingir podendo, assim, estas passar pela entrevista clínica e pelo uso de testes estandardizados.
A avaliação neuropsicológica é recomendada em qualquer caso onde exista suspeita de dificuldade cognitiva ou comportamental de origem neuropsicológica. A especialidade destina-se, por exemplo, a perturbações neurodegenerativas ou demências, a patologias não degenerativas como o caso de lesões cerebrais (Acidente Vascular Cerebral, Traumatismo Crânio-Encefálico) ou, ainda, como forma de prevenção no envelhecimento cognitivo normal.
Os resultados devem sempre ser interpretado por uma equipa multidisciplinar no âmbito da Psicologia e da Medicina. Para isso, e a pensar em si, a nossa clínica aumentou as áreas de intervenção para incluir esta nova vertente, contando com uma equipa especializada no âmbito da Psicologia e Psiquiatria.

Consulta de Neuropsicologia

A Neuropsicologia é uma área da Psicologia que estuda o comportamento humano baseado no funcionamento do cérebro. A Consulta de Neuropsicologia inclui, para além da avaliação neuropsicológica, a reabilitação neuropsicológica, cujos objetivos são:
– Recuperar e/ou compensar os défices cognitivos;
– Melhorar as capacidades cognitivas ou minorar o seu impacto na funcionalidade da pessoa;
– Facilitar a adaptação da pessoa aos seus défices;
– Potenciar o ajustamento da família à situação e aos défices,
– Promover a reintegração socioprofissional.
A reabilitação neuropsicológica não se limita à reabilitação cognitiva, integrando a intervenção psicoterapêutica quer à pessoa com défice quer à família.
Dado que as perdas cognitivas fazem parte do processo de envelhecimento normal e que estas podem ter repercussões na funcionalidade diária da pessoa, a consulta de neuropsicologia é também indicada para estas situações.
A nossa clínica aumentou as áreas de intervenção para incluir esta nova vertente, contando com uma equipa especializada no âmbito da Psicologia e Psiquiatria.